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Uma capela e 200 anos de história

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Quando se conhece Beberibe de verdade, você se depara com uma rica história, cultura e hábitos que perpassaram gerações. Muitas tradições estão resistindo ao tempo, a novena do Senhor do Bonfim é uma delas. Há 200 anos, a igrejinha do Sítio Lucas é guardiã da fé e do rito de tempos remotos, época do surgimento da cidade.

Todos os anos, em novembro, devotos e representantes de diferentes famílias seguem a tradição da novena que tem duração de 12 dias na bucólica capela do sítio. O destaque é a oração proferida em latim que ainda hoje fortalece os laços com o passado e mantém viva a própria identidade familiar. O ritual é vivido em sua maioria por senhoras que, desde a mais tenra infância, tiveram essa mesma vivência ao lado de suas mães e avós.

Na meia hora de duração da novena, ou um pouco mais que isso, as senhoras dedicam sua fé aos enfermos da cidade, aos familiares, pedem pela chuva, homenageiam antepassados através do Pai Nosso, da Ave Maria, e de tantos outros cânticos.

Antes e após a novena, um prazeroso bate-papo com as participantes fazem desta vivência uma experiência única. Histórias da cidade estão nas entrelinhas de suas próprias histórias pessoais. As lagoas de antigamente, a configuração urbana, as fortes tradições do passado que hoje estão reduzidas à expressões pontuais, o entendimento de outros valores, a conexão com o indígena, com a natureza. Se a novena encanta pela fé, pela emoção compartilhada, e por toda a história que representa, a conversa com as devotas do Senhor do Bonfim é uma atração à parte. Ouvindo suas histórias fica impossível não imaginar como foram as festas que moviam a comunidade em torno daquela capela, pessoas chegando a cavalo, charrete, e os encontros sociais que ali ocorreram, os acontecimentos dos quais o centenário cajueiro ao lado da igreja foi cúmplice. O elo religioso é forte e a força da história também. Prepare seu olhar antropológico, observe gestos, cantos e a comunhão das senhoras. A formação de Beberibe fica explícita ali, naquele sítio, naquela igrejinha, naquelas memórias. Programa delicioso e imperdível.

O que: Novena do Nosso Senhor do Bonfim.

Quando: Novembro.

Onde: Capela do Sítio Lucas – Centro/sede de Beberibe.

 

 

 

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Dramistas de Beberibe

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A memória em suas dimensões individuais, coletivas e históricas

O drama faz parte de uma construção coletiva típica do litoral leste do Ceará que mistura música — cantada pelas dramistas acompanhadas por tocadores que geralmente ficam atrás da empanada— e danças. O resultado de tudo isso é um conjunto de práticas que combinam representação dramática, indumentária e expressão corporal. No drama, a música é a linguagem que liga as ações da figura dramática ao público, fazendo uso da fala enquanto meio de comunicação; a dança é a linguagem que comunica através do movimento corporal e harmoniza a ação e a composição musical.

As participantes desenvolvem cantos, danças, figurinos e apresentações, e forjam a realidade em cena simulando situações trágicas ou divertidas que podem ser encenadas e moldadas de acordo com as opiniões e ideias de cada integrante do grupo.

Uma diversão, uma arte, um meio de convívio e a memória viva de geração em geração. As dramistas são a nossa própria história ancestral em cena.

 

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IGREJAS – Passeio pela história, cultura e identidade

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Beberibe tem 1600km², cabe o equivalente a 5 cidades como Fortaleza neste território. E é claro que, em uma área tão ampla muitas culturas, costumes e histórias se desenrolaram nos 230 anos que data a primeira compra de terras na região. São muitas as comunidades que integram o município de Beberibe. Andreza, Itapeim, Serra do Felix, Lagoa de Dentro, Caetano, e a lista segue longa.

Uma forma rica de entender um pouco da memória, organização e peculiaridades, é conhecer as instalações e a história da construção da igreja de cada localidade. As construções das igrejas serviram como pano de fundo para interessantes feitos de força, persistência, comunhão e pertencimento da comunidade.

 

 

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